A prof. Joria nos disse para ver esse filme e descrevê-lo na visão de um adulto. Acabei de assistir e vou colocar meus pensamentos da forma mais compreensível que eu puder.
Para quem se interessar em ver, aqui tem um link para assistir online a versão de 1939, dublada em alta definição http://www.zonafilmes.net/2012/08/filme-online-o-magico-de-oz-1939.html .
Toda a história tem início com Dorothy defendendo Totó (um cão da raça Cairn terrier), ela busca a ajuda dos tios e funcionários da fazenda onde mora, mas é ignorada por todos. Então quando o xerife autoriza o sacrifício de Totó, este é levado embora num cesta por uma vizinha, foge e volta para casa, então Dorothy decide fugir com seu cão.
Nesse trecho o que me marcou foi a questão da compaixão pelo animal, enquanto hoje em dia as pessoas cometem todo tipo de atrocidade com animais (principalmente os domésticos), há 74 anos atrás já existiam pessoas complacentes com eles. Isso me lembra uma frase do Arthur Schopenhauer: "A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem".
Então no caminho pela estrada Dorothy conhece o Professor Marvel, que trata muito bem a ela e ao Totó, e lhe pergunta o que ela faz ali. Com um pouco de encenação, a convence a voltar para casa.
Aqui eu pensei o seguinte: ele poderia tê-la roubado, molestado ou feito qualquer coisa ruim, mas só o que fez foi dizer-lhe o óbvio, que seus tios estariam preocupados e que ela deveria voltar para casa. Então cabe a frase do Abraham Lincoln: "O caráter é como uma árvore e a reputação como sua sombra. A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real". Ou seja, eu pensei que Professor Marvel fosse um malfeitor, mas na verdade era o oposto.
Na volta, todos são surpreendidos por um tornado/ciclone mas Dorothy e Totó não conseguem se abrigar no porão com os outros, então entram em casa. A casa é sugada pelo tornado/ciclone e cai na Cidade dos Anões, matando a Bruxa Má do Norte. Os anões comemoram e fazem de Dorothy sua heroína, ela não entende o porque mas fica feliz. Ela ganha sapatos de rubi que a ajudarão futuramente, e também orientações da Bruxa Boa do Norte, porém a irmã da bruxa morta, a Bruxa Má do Oeste se torna sua inimiga.
Disse Camilo Castelo Branco: "As ações de cada pessoa são boas ou más consoante a maneira como as outras as comentam". Então apesar de Dorothy ter matado alguém, sem querer, ela defendeu toda uma cidade e os moradores ficaram agradecidos, mas ganhou como inimiga a irmã da bruxa morta. É uma situação complicada que acontece todos os dias, uma pessoa ruim aterrorizando outras por ter maior poder, então alguém se revolta e a mata, isso me lembra um pouco a questão das favelas controladas por bandidos, e eu realmente acho válida essa solução, morte para quem mata e terror para quem aterroriza. Sou totalmente a favor da lex talionis (Lei de Talião) presente no Código de Hamurabi e que diz "olho por olho, dente por dente". E a Lei de Talião me lembra também uma lei da Wicca chamada ‘Lei do Retorno Tríplice’ ou “Lei Tríplice”, significa que tudo que você fizer vai voltar pra você, e três vezes. Você escolhe o que você vai fazer, que tipo de energia você vai mandar, e é exatamente o tipo de energia que você vai colher. Essa lei da Wicca, não é só da Wicca, é do universo, aliás isso é um conceito claríssimo em todas as religiões (http://www.magiazen.com.br/palavra-chave/retorno).
Então Dorothy é orientada pela Bruxa Boa do Norte a ir até a Cidade das Esmeraldas falar com Oz, o grande mágico. No caminho, ela conhece o espantalho, que diz não ter um cérebro, então ela pergunta a ele "Se você não tem cérebro, como consegue falar?" e ele responde "Eu não sei, mas tem tanta gente por aí que fala sem ter um cérebro não é mesmo?".
Eu ri muito com essa frase do espantalho, porque é uma frase que eu costumo dizer todos os dias, e faz todo sentido. O que ele quis dizer é que muitas vezes as pessoas falam coisas totalmente sem sentido, o que deixa em dúvida sua capacidade intelectual e talvez a formação anatômica.
Ele pede a Dorothy para acompanhá-la em sua jornada para que possa pedir um cérebro a Oz. Quando chegam a Oz, o mágico diz a ele que "todas as criaturas têm um cérebro, mas a algumas falta o conhecimento", então dá ao espantalho um diploma e ele quase que instantaneamente se torna um sábio. Sigmund Freud falou: "A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos". A lição que fica desse personagem é que muitas vezes nossa inteligência e capacidade já estão conosco, porém são desconhecidas ou então suprimidas, por medo de sermos julgados, por exemplo. Então assim que recebeu o diploma, o espantalho percebeu que já tinha um cérebro e só não sabia como usá-lo.
Durante o trajeto, Dorothy, Totó e o espantalho passam por macieiras, faminta Dorothy tenta colher uma das maçãs, mas leva um tapa da árvore que lhe diz "O que você ia achar de alguém que viesse arrancar algo de você hein?".
Acho que a árvore quis dizer que para pegar algo de alguém, você precisa pedir permissão, caso contrário isso seria um roubo.
Então Dorothy, Totó e o espantalho conhecem o homem de lata, que deseja ter um coração, e o convidam a acompanhá-los para que possa pedir um coração a Oz. Quando chegam a Oz, o mágico diz a ele que "ele tem sorte de não ter um coração, e que um coração só seria útil se fosse inquebrável", lhe diz também que "o tamanho do seu coração não se julga por quanto você ama, mas por quanto você é amado", então dá ao homem de lata uma espécie de relógio em forma de coração. O homem de lata só percebe que tem um coração quando Dorothy se despede na sua volta para casa, e ele então fica muito triste. Há uma frase da Clarice Lispector que diz "É necessário abrir os olhos e perceber as coisas boas dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão". A lição que fica desse personagem na minha visão é a mesma do espantalho, nossos sentimentos sejam eles bons ou ruins já estão conosco, porém são desconhecidos ou então suprimidos, por medo de sermos julgados. Então determinadas situações fazem com que aflorem, como a partida de alguém querido, por exemplo.
Mais adiante no caminho, Dorothy, Totó, o espantalho e o homem de lata conhecem o leão, que sente medo de tudo a sua volta, então é convidado pelo quatro a ir falar com Oz para pedir coragem. Quando chegam a Oz, o mágico diz a ele que "Não é porque ele foge do perigo que ele não tem coragem, que ele está confundindo coragem com sabedoria", então dá ao leão uma medalha e ele percebe que além da coragem que ele achou que não tinha, tinha também sabedoria. De acordo com Eleanor Roosevelt "Você ganha força, coragem e confiança através de cada experiência em que você realmente para e encara o medo de frente". A lição que fica desse personagem na minha visão é a mesma do espantalho e do homem de lata, nossa coragem já
está conosco, porém é desconhecida ou então suprimida, por medo de
sermos julgados. Então determinadas situações fazem com que aflore.
Em seu encontro inicial com Oz, este se revela um ser humano comum que não tem nada de mágico. Para mim, o que fez com que todos naquele mundo acreditassem que ele tinha poderes, é que ele sabia de coisas que eles não sabiam, ele tinha conhecimentos a mais do que os outros, e isso muitas vezes acaba por impressionar quem tem pouco ou nenhum conhecimento.
A grande lição para Doroty foi que ela precisava dar voz ao seu coração, seus pensamentos seja onde e como for.
A grande lição para Doroty foi que ela precisava dar voz ao seu coração, seus pensamentos seja onde e como for.
Durante todo o filme, Dorothy, Totó, o espantalho, o homem de lata e o leão são ameaçados várias vezes pela Bruxa Má do Oeste, porém não se separam e estão sempre se ajudando. Como disse Honoré de Balzac "A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos". Eles todos estavam infelizes, pois não tinham o que queriam, mas as circunstâncias os fizeram se encontrar, acabaram se gostando e a amizade surgiu, fazendo assim eles se ajudarem.


